Travesti é espancada até a morte por adolescentes em Fortaleza. VEJA O VIDEO
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A morte
de Dandara dos Santos, no último dia 15 de fevereiro, foi filmada pelos
agressores e vídeo viralizou
Dandara
dos Santos, de 42 anos, foi agredida até a morte no bairro Bom Jardim. Uma
violência que ficaria na invisibilidade, não tivesse se tornado público o vídeo
que registra a ação criminosa e que viralizou nas redes sociais com repercussão nacional ao longo do dia de
ontem. Até agora ninguém foi preso.
“Suba,
suba! Não vai subir, não?!”, bradam agressivamente três homens, que aparecem no
início do vídeo, enquanto Dandara, sentada ao chão, mal consegue se mover. Eles
querem que ela suba num carro de mão. Ela chora. “Sobe logo! A ‘mundiça’ tá de
calcinha e tudo”, zomba outro que filma.
Uma
sequência de ofensas de gênero, chutes, tapas, golpes com madeira. A maioria
mira a cabeça, já com muito sangue. Dandara tenta subir no carro de mão, sem
conseguir. Até que os algozes a levantam e a jogam no carro de mão. Ela morreu
no último dia 15 de fevereiro.
Pelo
menos cinco jovens aparecem no vídeo com 1 minuto e 20 segundos de tortura, que
circula na internet.
Para a
pesquisadora de gênero e sexualidade Helena Vieira, histórias que envolvem
agressões contra travestis têm múltiplos contextos. “Às vezes é violência
puramente de ordem transfóbica. Mas a marca do ódio é grande. Sempre inclui
tortura, espancamento, esquartejamento”, pontuou.
A
investigação
Segundo o
titular do 32º DP (Bom Jardim), delegado Bruno Ronchi, os envolvidos no crime
foram identificados, mas ainda não foram presos. Além das pessoas que
participaram do vídeo, outros criminosos são apontados como responsáveis pelo
homicídio. O delegado diz que aguarda o poder judiciário. “Dois dias depois do
crime recebemos o vídeo e buscamos a identificação. Não foram somente as
pessoas que estavam no vídeo. Era necessário apurar o homicídio em si. Houve detalhes do
crime que precisaram ser esclarecidos”, relata.
Segundo
Ronchi, o crime foi movido por homofobia. “Foi levantada outra hipótese, mas
teve a homofobia. A causa e a continuidade das atitudes foi homofóbica”,
afirma.
Após a
Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) realizar os primeiros
levantamentos do crime, o caso foi encaminhado ao 32º DP, que esteve no local.
Bruno
Ronchi afirma que o caso não estava sendo amplamente divulgado para não
prejudicar as investigações e a viralização do vídeo é prejudicial, pois os
autores têm acesso fácil ao material e fogem. Segundo o delegado, os envolvidos
são adolescentes que já têm passagem pela Delegacia da criança e do Adolescente (DCA) e são conhecidos por
atos infracionais violentos no Grande Bom Jardim. (Luana Severo e Jéssika
Sisnando)
Saiba
mais
Moradores
do Conjunto Ceará, onde Dandara morava, afirmavam revolta e tristeza ontem, nas
redes sociais. Diziam que Dandara era figura carismática no bairro,
frequentadora do Polo de Lazer. Outras pessoas relatavam, nas redes sociais,
que o caso ganhava repercussão em outros estados. Um dos comentários que, mesmo
o crime acontecendo no dia 15 de fevereiro, só se teve conhecimento agora, após
a divulgação do vídeo.
O
coordenador da Diversidade Sexual de Fortaleza, Paulo Diógenes, publicou no
Facebook que a pasta e o Centro de Referência LGBT Janaina Dutra entraram em
contato com o advogado Hélio Leitão, que se disponibilizou para acompanhar
investigação, junto ao Ministério Público e à Polícia Civil.
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